As novas instalações da Cúria Metropolitana de Campinas

A Cúria Metropolitana de Campinas adquiriu novas instalações em 2009 para a sede de sua administração e arquivo. Esta nova sede é toda cercada por vidros e claraboias que garantem muita luminosidade durante todo o dia, praticamente sem a necessidade da iluminação artificial. Com o custo à Arquidiocese de dois milhões de reais, sua reforma se encontra na fase final de implantação. Os ambientes internos são arejados e amplos, permitem visibilidade interna e externa, o pé direito alto mantém a temperatura, internamente, confortável. Sua estrutura de três andares, mantém a característica contemporânea de multifuncionalidade, no subsolo está sediada a radio da Arquidiocese e o arquivo da revista a Tribuna. No primeiro andar encontram-se departamentos administrativos, o arquivo histórico e o escritório do novo Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Airton José dos Santos. No terceiro andar a sede do Tribunal Eclesiástico e administração das paróquias. No interior desta nova sede os móveis possuem poucas ornamentações. Embora sua reforma aconteça lentamente, racionaliza o tipo do mobiliário a ser utilizado. O departamento de Arquivo da Arquidiocese e do jornal A Tribuna recebe estantes próprias para a manutenção e higienização dos documentos. Esta sendo preparada uma sala especial para receber pesquisadores e estudantes, os funcionários são profissionais e extremamente atenciosos. Todas estas características diferenciam muito esta nova fachada da Cúria em relação à sua antiga sede à Rua Irmã Serafina, nº 88, que sediará a edição da Campinas Decor 2012. Com uma arquitetura com estilo clássico, este prédio precisava de reformas urgentes que não seriam possíveis com a manutenção do Arquivo e da Pastoral Pio XII no mesmo. As novas instalações, sua fachada e acabamento mostram uma entidade que se quer como um símbolo de que a igreja continua viva e atualizada com seu tempo.

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Experimentação e Colaboração na Arte Americana do Pós-Guerra

No último mês de agosto, sob a organização do prof. Dr. Jorge Coli e promoção do CHAA, o professor Vincent Katz de Nova York ministrou um minicurso intitulado Experimentação e Colaboração na Arte Americana do Pós-Guerra (outras informações, vídeos e todas as imagens podem ser visualizados no site do CHAA: clique aqui). Dentre as dezenas de assuntos tratados em aula, chamo atenção para a Ironia, uma forte característica na arte americana, sobretudo, na década de 1980. Não há como não se lembrar da imagem de Jeff Koons utilizada em curso, Michael Jackson and Bubbles, de 1988. Um verdadeiro bibelô, uma porcelana branca com detalhes dourados, bem ao gosto Kitsch. Michael sentado como uma ninfa ou odalisca tem seu olhar perdido a um infinito, não perdido em seus próprios pensamentos, nada metafísico: seu pequeno sorriso desvela talvez algum ensaio fotográfico. Em seu colo, mirando o observador, um pequeno macaco que porta vestimentas semelhante ao do astro pop. O pequeno mico, sobre o sexo de Michael recebe ternamente os dedos da mão direita do cantor em seu peito. Um imbricado e complexo jogo, que exige do espectador um repertório particular, especialmente da cultura pop.

Jeff Koons, Michael Jackson and Bubbles. 1988.

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Arcangelo Ianelli

Em quase toda a bibliografia sobre Arcangelo Ianelli a vontade de mostrar como há de fato uma superação, ou melhor, uma evolução em sua pintura da fase “figurativa” a fase “abstrata” é uma forte constante. É conhecida sua adesão ao abstracionismo a partir da década de 1960 (o que acontece com diversos outros pintores). Suas obras dos anos 90 são extraordinárias, o suporte e a matéria parecem converter-se em espectros luminosos, “vibrações” de luzes em holofotes de cores diversas. Mas, a pintura figurativa, muitas vezes, forte e expressiva acaba ficando em segundo plano no conjunto de sua obra. Na mostra da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Arcangelo Ianelli: Doação do artista (até o dia 14 de agosto de 2011), a entrada é feita com desenhos maravilhosos dos anos de 1940. Nestes desenhos descortina-se um artista de traço forte e com um senso estrutural sólido. A maioria dos trabalhos expostos faz parte da doação do espólio do artista. Entre as dezenas de obras expostas de diversos períodos, gostaria de destacar apenas Leitura, de 1944. O intenso vermelho-rubi terroso, com camadas negras, fortalece, com traços quase geométricos, a estrutura da figura com grandes verticais contrapondo-se com a vibração luminosa das páginas do livro e do rosto inclinado. Imersa na introspecção, o espaço se dissolve, perde o foco. Não acho demérito nem errado, mas acredito que seria necessário analisar estas significativas imagens fora do eixo evolutivo, elas são em si mesmas grandes obras cuja atenção deveria ser equivalente a sua produção a partir da década de 60.

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Arquitetura e Monumentos em São Paulo

Em uma visita a São Paulo, na última quarta-feira (29 de junho de 2011) organizada e conduzida pelo Prof. Jorge Coli ficam evidentes, imediatamente, dois elementos: Primeiramente, a história da arquitetura paulista precisa ser revista (ou melhor, feita) integralmente. Temos apenas poucas indicações sobre quem, como e em quais circunstâncias esses edifícios foram construídos. Muitas vezes os prédios estão em situação precária. Mesmo um edifício da importância do Teatro Municipal carece de um estudo mais denso: suas esculturas, seus mosaicos, tudo por se fazer! Em segundo lugar, a visita descortina uma possibilidade latente ao historiador: o embate necessário com a arquitetura. Embora haja estudos esporádicos, os historiadores da arte raramente tocam de maneira séria no estudo dessas obras. Possivelmente acuados e inseguros por se tratar, aparentemente, de um assunto para arquitetos. Assim, como acontece em outros países, é hora para os historiadores levarem a cabo essas pesquisas, quase todas partindo do zero.

Consulte no site do CHAA em eventos e veja fotos e outras informações da viagem.

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O século XIX e o cinema

Há ainda por se fazer toda uma história das relações entre as artes plásticas e o cinema. Evidentemente que muitos autores, entre os quais Jacques Aumont e Edmond Couchot, trataram dessas ligações. Contudo, me parece lacunar a passagem das artes do século XIX, sobretudo o final do século, com o cinema. Tais ligações são extremamente claras no cinema das décadas de 10 e 20, o fascínio pela mulher fatal e pelos contos de horror permeou grande parte daquela produção cinematográfica. A pintura por muito tempo desprezada, da segunda metade do século XIX, – e com rara maestria analisada por Jacques Thuillier e Philippe Julian – mostra-se com grande presença no cinema, mesmo na produção atual. Dos filmes de Russ Meyer às grandes produções de Oliver Stone e Stephen Sommers identifica-se uma presença, seja diretamente ou por certo ambiente, da atmosfera cultural daquele período.
Este tema será discutido e apresentado no 20º encontro da Anpap, em setembro, na comunicação proposta por mim “Para uma revisão das imagens entre cinema e artes plásticas”.

http://www.anpap.org.br/index.html

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Invasions Barbares e Scène de Combat

No artigo intitulado A presença de Chassériau em Moreau, procuro estabelecer ligações entre os dois artistas. Claro que ligações já percebidas, contudo não sistematizadas. Quando comparo a imagem Invasions Barbares logo mostro a incerteza acerca o autor de tal imagem. Valbert Chevillard, Marc Sandoz e Léonce Bénedite não titubeiam e carimbam como sendo de Chassériau. Já Louis Antoine-Prat , responsável pelo catálogo geral dos desenhos de Chassériau do Gabinete de Artes Gráficas do Louvre, rejeita estas opiniões e indica que este desenho certamente foi feito por um aluno de Ingres, contudo não de Chassériau. Recentemente, ao ler um catálogo de Henri Lehmann (retratos e decorações parisienses) de 1983 e publicado pelo Museu Carnavalet, encontrei um desenho que me parece muito próximo ao Invasions Barbares, intitulado Scène de Combat. Se como diz o catálogo trata-se de um estudo preparatório para La France sous les Mérovingiens et les Carolingiens, podemos embrionariamente colocar Invasions Barbares neste conjunto. Evidentemente que isto precisa ser investigado com mais rigor, contudo é bem lícito que a Scène seja o prelúdio de Invasions que certamente seria outra pintura, não necessariamente La France.

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Vale do Anhangabaú: degradação e abandono

Ao lado do Teatro Municipal de São Paulo, a Praça Ramos de Azevedo conserva um excelente conjunto de esculturas, de grande qualidade e beleza, em homenagem ao compositor Carlos Gomes. Obra do escultor Luigi Brizzolara, esse conjunto povoa a praça com os personagens das óperas do músico campineiro. Para apreciá-lo, basta que se tome um pequeno desvio, descendo as escadarias da Esplanada do Teatro, para então encontrar o Guarany, a Fosca, a Maria Tudor ou o fantástico Condor, que por si só valeriam o desvio, sem contar outras belas surpresas guardadas pelo Vale do Anhangabaú, como a vista dos antigos viadutos, o estranho Verdi do escultor Amadeo Zani, e ainda o Brecheret da Galeria Prestes Maia, antes de se emergir novamente no burburinho da Praça do Patriarca.
Por tudo isso, foi uma infeliz surpresa encontrar, em minha última visita ao Anhangabaú, o local ainda mais abandonado e degradado que de costume. A praça, na qual o policiamento era freqüente ao menos durante a semana, estava desta vez tomada por usuários de droga, alguns traficando em plena luz do dia e a poucos metros de um movimentadíssimo Viaduto do Chá. Acompanhada por colegas, desci as escadarias perplexa com as condições do local. Pior destino teve o Condor: a escultura que reclina-se sobre a balaustrada da escadaria, estendendo a mão aos passantes, foi vandalizada por um pequeno pedaço de bronze e teve um dedo arrancado de sua mão. Lamentável, pois há décadas os passantes repetiam o gesto de tocar esse dedo por um bocado de sorte. A carinhosa superstição, sempre me pareceu ainda mais significativa numa cidade que costuma estabelecer uma relação de estranheza com seus monumentos. Tanto que na ocasião do restauro do Monumento a Carlos Gomes, em 2001, o Departamento de Patrimônio Público de São Paulo decidiu, segundo relato que pode ser encontrado no site da prefeitura, por não recompor a pátina da mão de Condor, preservando essa tradição. Uma década depois, a cidade perdeu seu amuleto e tem ainda mais a perder se nada for feito para se recuperar a segurança e a dignidade de um do mais celebres cartões postais da cidade.

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Lehmann e Chassériau

Lehmann aluno de Ingres assim como Chassériau, tinha grande estima e admiração pelo amigo de atelier. Viajaram juntos: Nápoles e depois Pompéia. Contudo as altercadas começam com a encomenda do retrato de Henri Lacordaire. O retrato deveria ser feito por Lehmann, mas Chassériau interferiu e fez o retrato. Resultado: mágoas e ataques verbais brutais. Podemos saborear tudo nas cartas trocadas entre Henri Lehmann e a Madame d’Agoult.

Une correspondace romantique: Madame D’agoult, Lizt, Henri Lehmann. Flammarion, Paris, 1947.

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